antonio
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« em: Agosto 29, 2010, 05:50:40 » |
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Segue um artigo sobre este assunto que publiquei no jornal Brisas do Sul de Agosto de 2010:
Nos últimos meses a Câmara Municipal de Olhão foi acusada e condenada em três processos judiciais: duas vezes a acusação partiu de um grupo de cidadãos (o “Somos Olhão”) e uma vez partiu do próprio tribunal quando este se apercebeu da conduta de má-fé que a autarquia teve num destes processos. No entanto, em Julho passado finalizou um quarto processo judicial, desta vez movido pela própria Câmara Municipal contra cidadãos. Trata-se dum processo em que a Câmara acusa os responsáveis da LOAAA (associação olhanense de ajuda aos animais domésticos abandonados, liderada pela D. Natália Viegas) de ter sido injuriada com mentiras. Efectivamente a LOAAA acusou publicamente a Câmara Municipal de Olhão de ter promovido uma matança de cães no canil de Olhão, em 2007, com a autorização do presidente da Câmara Municipal. Infelizmente para a Câmara Municipal de Olhão a coisa correu mal novamente, tendo o tribunal ilibado a D. Natália Viegas das pretensas injúrias ao bom nome da autarquia e, pelo contrário, obrigou a autarquia a pagar todos os custos judiciais, tendo ficado claro que, durante o processo, se houve mentiras, estas pertenceram ao lado da acusação. Curiosamente, no ano corrente de 2010, com excepção do Brisas do Sul, todos os jornais e restante comunicação social local ou regional, não escreveram uma palavra sobre os quatro processos judiciais que, evidentemente, têm uma grande relevância política e jornalística regional. É óbvio que a razão não pode ser boa! E a óbvia razão que dou para explicar tal comportamento é o facto de a imprensa regional estar refém do poder político local, ou porque este a subsidia directamente através da publicidade, ou porque estes políticos locais não hesitam em causar os mais variados dissabores aos jornalistas que simplesmente expõem a verdade de forma isenta. Serve isto para constatar que actualmente é impossível conhecer a verdade sobre os nossos políticos autárquicos através desta imprensa regional, ou seja, estes jornalistas vivem num processo de auto-censura fascistóide, onde só os colaboracionistas sobrevivem com alegria. Mas outra reflexão quero aqui fazer, menos política e mais humana, sobre o processo de acusação à D. Natália Viegas. Num país pobre como o nosso, muitos poderão considerar que a luta da D. Natália Viegas pela defesa da vida de algumas dezenas de cães e gatos abandonados é patética, porque estes bichinhos não são importantes. Admito que a importância da sua luta pode ser menorizada. Mas já não pode ser menorizada a enorme grandeza de sentimentos e de altruísmo que faz a D. Natália Viegas, uma senhora de 81 anos, lutar pela vida de bichinhos que nunca lhe retribuirão, fazendo inimigos poderosos e rancorosos, como são os políticos locais, que aproveitarão todas as oportunidades futuras para a prejudicar. O melhor que a Humanidade tem são estas pessoas que demonstram a capacidade de dar com sacrifício e sem interesse de receber. Ora não há melhor situação que exemplifique este altruísmo puro como esta que envolveu a D. Natália Viegas! Esta grande senhora fez-me recordar que, afinal, ainda há algumas pessoas que merecem respeito! Obrigado, D. Natália.
António Paula Brito
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