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Noticias sobre a morte dos patos na etar das Aguas do Algarve. Algarve Centenas de patos morrem na ria Formosa
por MIGUEL FERREIRA14 Setembro 2010 Centenas de patos morrem na ria Formosa
Animais aparecem mortos nas lagoas junto à ETAR de Faro. Surgem à média de dez por dia e, nesta altura, já cerca de duas centenas terão sucumbido. Bactéria deve ser a causa
Há animais que se arrastam em cima do alcatrão quente, na estrada que circunda a ETAR, em Faro, numa tentativa de alcançar a água. Mas os que lá chegam não conseguem voar e rapidamente perdem as forças. São essencialmente patos e galeirões e estão a morrer na estação de tratamento de águas residuais dos Salgados, para onde é canalizado uma parte dos esgotos de Faro. Desde o final de Agosto, já terão sucumbido mais de 200 animais.
Diariamente, a empresa Águas do Algarve tem recolhido uma média de dez cadáveres na sequência de um surto que diz ter começado a 29 de Agosto. Mas técnicos do Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens (RIAS) dizem ter detectado aves mortas com mais tempo, "talvez do início de Agosto", contou ao DN Carla Ferreira, médica-veterinária do RIAS, com sede em Olhão.
É para aí que são levados as várias espécies de patos que ainda estão vivos. "Chegaram-nos 125, uns morreram, outros recuperaram e já estão a voar em recinto fechado", explicou a médica-veterinária. Ainda de acordo com Carla Ferreira, as suspeitas vão no sentido de se tratar de botulismo, uma vez que "a sintomatologia e o elevado número de mortes são compatíveis com a doença".
Por outro lado, no Sul de Espanha também foi detectado um surto, o que reforça a hipótese, ainda que "só os exames laboratoriais possam definir com certeza do que se trata, e ainda não estão concluídos".
Um cenário de botulismo é essencialmente explicado pela existência de águas paradas, elevadas temperaturas e grande concentração de animais.
Na presença de matéria em decomposição, a Clostridium botulinum, uma bactéria que existe na natureza, encontra as condições ideais para produzir uma toxina que se acumula nas larvas que servem de alimentos a muitas aves, a toxina botulínica.
Não se tratando de botulismo, Carla Ferreira avança com outras hipóteses possíveis, ainda que menos prováveis: intoxicação por algas ou a presença de outra bactéria.
Enquanto os animais mortos são incinerados, os que sobrevivem são anilhados numa pata e recebem ainda marcas nasais, próprias para patos, com o objectivo de poderem ser identificados dentro de água.
"Só os vamos libertar quando tivermos a certeza de que o surto foi erradicado, para não acontecer como no ano passado em que os animais voltaram a entrar no centro, mortos", esclarece Carla Ferreira.
Na ETAR, situada entre Faro e Olhão, em plena ria Formosa, um tractor tem nos últimos dias tentado desbastar o canavial que acompanha as lagoas, e que, nesta altura, constitui um obstáculo à detecção de animais vivos e mortos.
A situação está a ser acompanhada por técnicos da Câmara de Faro, Parque Natural da Ria Formosa, Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve e CCDR/Algarve.
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