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Autor Tópico: "Os Presos Politicos da Ria Formosa"  (Lida 229 vezes)
embroise
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« em: Agosto 30, 2010, 02:40:10 »

Excelente texto de Fernando Santos,publicado nos blogs Olhão livre e A Defesa de Faro.


Os presos políticos da Ria Formosa
Vivem há muitos anos, há alguns anos ou mesmo há poucos anos, mas usufruem usam e cuidam de uma área dita protegida, que tem estatuto de protegida, porque tudo é proibido e ninguém com responsabilidade para isso cuida de coisa nenhuma, pois isso implicaria sair dos gabinetes e ver o que se passa.
A área é protegida por decreto pois ninguém que mande a protege de coisa nenhuma, nem do assoreamento da Ria, nem dos espanhóis que levaram as “bocas” e levaram também os caranguejos, para fazer farinha, nem do assoreamento provocado pela errada intervenção que foi a construção da Marina de Vilamoura, do modo como foi construída, e consequentemente dos molhes de Quarteira, que “levaram” o Forte Novo, mas a culpa parece ser das casas da Praia de Faro.
No entanto está mais uma vez em curso mais uma etapa para a protecção de tudo e de nada sem se saber para onde vamos e segundo me parece sem que quem devia saber para onde vamos, saiba exactamente para onde devemos ir, ou não estaria a planear de uma maneira tão secreta.
Parece que se descobriu mais uma vez que as ilhas barreira, tinham gente em cima. Gente, que são pessoas, mas não estão a ser tratadas como tal.
Gente são seres descartáveis que por acaso até pensam, e isso em democracia é um problema. Aliás seres que pensam tornam-se pessoas e pessoas em democracia são um problema.
A democracia mantém-se com rebanhos dirigidos por pastores mesmo que bêbados, e com cães mesmo que pareçam os melhores amigos do Homem.
A democracia sobrevive com seres que não pensam ou que só pensam naquilo que os eleitos pelos seres que não pensam querem que eles pensem. Assim nasceram os presos políticos da Ria Formosa.
São perseguidos por empregados dos eleitos, (que são pagos pelos seres que não pensam), e que os perseguem devagar, (porque em democracia convém mandar devagar, e proibir devagar, não vá ficar muito parecida com a ditadura, e correrem o risco de, mesmo a malta que não pensa reparar).
Essas pessoas, também têm família a viver nas ilhas, e que também está revoltada, mas não pode dizer nada, pois todos têm, irmãos, mães, filhos, primos e tias a trabalhar nas Câmara, na CCDR, na ARH, na Direcção Regional da Agricultura ou noutros organismos quaisquer onde se receba ao dia 20, e se mantém a sobrevivência em troca de não se fazer muitas ondas, ( que é o que dá cabo das ilhas-barreira - as ondas)
O problema nasce a partir de um POOC ( Plano de Ordenamento da Orla Costeira que até foi a inquérito público mas tinha tantas páginas que ninguém conseguia ler mas assim legitima-se a sua entrada em vigor) que aperfeiçoado pelos planos seguintes que nunca mais vão acabar pois são eles que dão emprego ás Sociedades de capitais meio público meio privado que empregam os outros primos que não têm emprego e que também são pagos pelos que não pensam, e que criam um clima de medo, insegurança, indefinição e de inquisição, com tecnologias de ponta e excesso de informação impossível de assimilar, que faria inveja ao sistema do “lápis azul”, e mesmo a qualquer Torquemada do século XXI.
Estas Sociedades peregrinas até têm um estatuto anti-corrupção, como se poderá constatar daquilo a que chamam de “Governo da sociedade” que no ponto que se refere a “Relacionamento com terceiros” diz textualmente que “ os colaboradores não devem aceitar bens ou objectos de valor patrimonial significativo. Não sendo possível a recusa ou devolução, essa oferta deverá ser comunicada á hierarquia para, em consenso se decidir o seu destino final”.
Deve ser por exemplo o caso das garrafas de Moet & Chamdon ou as Barcas Velhas que deverão ser atribuídas á hierarquia a gosto de cada superior hierárquico, não vá o presente não servir para nada. Claro que o valor significativo do objecto, (leia-se, prenda) dependerá do ordenado de quem o recebe, mas isso não é o assunto deste artigo de opinião.
Depois deste parêntesis deduzi que ter uma segunda habitação sem ser politico, director geral ou mesmo rico de nascença é tornado crime.
De repente aqueles que têm que gastar o subsidio de Férias recebido ao dia 20, para poderem tomar um copo no quarto a ver o mar, ou mesmo com os pés dentro de água nas Seixeles ou noutro paraíso tropical qualquer, descobriram que havia quem tivesse essa regalia há anos, sem que tivesse roubado nada a ninguém e de uma maneira naturalmente consentida e a maior parte das vezes legal, conseguindo a mesma coisa com o ordenado mínimo. Uma injustiça, que numa sociedade capitalista tem que ser reprimida.
E assim começaram a inquirir-se os seres que usufruíam da área protegida que afinal ninguém protegia, (veja-se a Arrábida, o Gerês, a serra da Estrela e todas as outras áreas protegidas alem da Ria Formosa que continua a arder e apodrecer, e que pouco mais se protege que o ordenado ao dia 20 de quem lá trabalha, salvo honrosas excepções, das quais, por acaso agora não me lembro de nenhuma).
Claro que ao terem a noção de que os pescadores numa primeira fase, outras pessoas normais no decorrer dos anos, (muitos antes da revolução feita com cravos para acabar com os ricos, e que como se sabe devia ter sido feita com metralhadoras para acabar com os pobres, pelo que deu a asneira que deu, pois não criou sofrimento suficiente para que se sentisse uma verdadeira mudança), pudessem estar a beber “minis”, a 60 cêntimos com vista para o mar dos dois lados. Não podia ser.
Assim e com as ideias da antiga policia politica, (com as devidas adaptações democráticas), delinearam uma estratégia baseada num dos grandes bastiões que sustenta a democracia portuguesa, - a burocracia - aliada ao grande desígnio nacional, a Inveja, com uma pitada de prepotência inerente a quem é eleito e recomenda o primo para Director-geral, começando a inquirir as pessoas ( leia-se gente) para apresentarem comprovativos de tudo o que tinham feito até aquela altura, e se tinham comprado as mobílias na Moviflor, ou no IKEA, pois isso poderia interferir com a permanência ou não nas sua casas nas ilhas, ou mesmo se tinham ido á tropa, que era uma coisa fora de moda pois havia Presidentes da República que nunca tinham ido, e candidatos a presidentes que também não, mas já há vários anos viviam do erário público sem nunca terem feito nada para isso, antes pelo contrário como os historiadores do futuro se encarregarão de esclarecer, de preferência depois deles morrerem, para que não venham a morrer antes do tempo.
Parece que os presos políticos da Ria Formosa, não podiam ter filhos a estudar no “Continente” mesmo que não houvesse escolas na ilha barreira onde viviam, e não pudessem cumprir a lei que obriga a cumprir a escolaridade obrigatória, assim como outras perguntas bem delineadas pelos geógrafos e sociólogos que estão empregados nas Sociedades Polis que foram criadas para ordenar estas áreas protegidas e as outras, e que têm a exclusividade da Parque Expo, que foi criada para a Expo 98 que já acabou e que deu um prejuízo desgraçado e que tem vários processos de burla sobre alguns dos seus colaboradores, mesmo que estejam quase todos arquivados.
Alguns dos inquéritos que fossem bem preenchidos poderiam significar que se poderia ficar mais uns meses nas ilhas até inventarem um plano novo com outros inquéritos, para arranjar mais umas verbas para perpetuar os empregos dos administradores dessas sociedades criadas para dar empregos aos primos. Para isso, alem dos advogados ou os primos dos primos mais ninguém sabia o que dizer nos inquéritos, o que levou a uma estratégia brilhante de dividir para reinar, que se usava muito nos tempos do antigamente, mesmo de algumas monarquias absolutistas como a que temos no Algarve onde os que mandam casam sempre, com os outros que mandam, para que o poder não caia na rua, ou pior nas mãos de alguns que ainda pensam e que decerto estragariam tudo, e toda a estratégia para proteger uma asneira que vem de Vilamoura mas que ninguém, (mesmo os que mandam) podem falar, porque há sempre uns mais poderosos uns degraus acima.
Haviam inquéritos que perguntavam se a avó que tinha nascido na ilhas tinha carrapito, ou se o avô ia á “redinha”, apanhar chocos e alcabrozes á noite, ou mesmo se tinham ido ao gambozino (sinal de que já tinham sido putos e vivido na ilha nessa altura). Também perguntavam se tinham dado mergulhos da ponte antes de ser proibido como as outras coisas todas que se fazia nas ilhas barreira e que tinha a ver com a infância e com o resto da vida das pessoas e que já não se podem fazer). A única coisa que não era proibida era ir ao gambozino, pois os directores e outros quadros superiores deste Estado Novo que nos governam, iam muitas vezes para se inspirarem para fazerem as leis proibitivas que justificam a manutenção dos empregos deles, mas que estavam a levar o país á falência.
A seguir ás ilhas virá a primeira linha de Quarteira, e outras localidades do litoral, depois a edificação dispersa, ( qualquer estratégia que mantenha o povo em pânico, para que seja controlável, e para o qual ajuda a televisão, quer pública quer privada, como se fosse possível ter uma televisão privada sem o apoio de quem manda na televisão pública) pois é muito mais difícil controlar os que vivem na edificação dispersa que aqueles que vivem nas cidades em “prateleiras”, e têm que ir ao hiper-mercado e ao Take-Away para irem para casa ver a programação televisiva que os irá domesticar o suficiente para votarem em quem os deixar ficar em casa quieto sem pensar, nem levantar problema, se possível recebendo ao dia 20, e fazendo o que as várias sociedades Polis e outras deste país lhes mandam .
È este o futuro que nos espera, sem que pensemos e sem que por isso criemos problemas ou façamos perguntas parvas, que embaracem aqueles que mandam, e que estão ao serviço dos Outros que mandam neles. Caminhamos alegremente via democracia para a escravatura, sem darmos por isso. Só espero que os vossos filhos, quando começarem a pensar (se os deixarem), não os acusem de não terem feito nada para mudarem este sistema, porque eu farei o que estiver ao meu alcance para que os meus filhos não me venham a acusar de ser conivente com este tipo de sociedade esventrada de conteúdo onde seremos apenas carneiros, sem nunca nos deixarem sequer ser uma ovelha negra, nem ao fim de semana. Acordem.

Fernando Santos
« Última modificação: Agosto 30, 2010, 02:43:32 por embroise » Registado
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