antonio
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« em: Abril 04, 2010, 04:26:29 » |
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Caros amigos Agora que o projecto Limpar Portugal acabou gostaria de responder às críticas que neste Fórum lhe foram colocadas. As maiores críticas desde sempre é que estamos a ajudar gratuitamente uma entidade que se tem mostrado incompetente para fazer o que lhe compete: a autarquia. Ou seja, além de ser errado ajudar quem é incompetente, há outras formas de conseguir a limpeza do concelho, nomeadamente, guerrear a autarquia, que é a responsável por tudo isto. Aparentemente tudo lógico... só que esta lógica de dividir a realidade entre os maus/pecadores/autarcas, ou seja "os outros", e os bons/limpinhos/cidadãos, ou seja, "nós", é mesmo simplista!
Em primeiro lugar sair à rua enquadrado numa organização cívica para fazer uma coisa que já devia estar feita pela autarquia é no fundo uma bofetada com luva de pelica na autarquia! Eu não poderia ter já dito isto antes do dia 20 de Março, porque para ter sucesso era necessário não amesquinhar a autarquia. Agora já posso dizer o óbvio: esta iniciativa envergonha de alguma maneira a autarquia porque as pessoas perguntam-se, tal como os críticos perguntaram: então e as responsabilidades da autarquia? Ora a autarquia sente-se de alguma forma exposta e sente a necessidade de se portar "bem" porque não quer ser apanhada com as calças na mão! A ajuda da autarquia certamente não foi inocente. Simplesmente não podiam fugir ao evento e, com alguma incomodidade política tiveram que se associar a algo que pretende sensibilizar para um buraco na sua área de competência... A mensagem é subliminar... mas passa! E é preciso perceber que a autarquia, nomeadamente o seu maior responsável político (Francisco Leal) por muito que nós não gostemos dele, a verdade é que ganhou as eleições pelo que a mensagem simplista de o insultar e responsabilizar por todo o mal do Concelho, não chega para virar a opinião pública. É preciso chamar-lhe os nomes que ele tem (e eu sou dos poucos que tem tido coragem para isso) mas é preciso também avançar com eventos politicamente menos "bélicos", pois estes também têm uma função política importante. Por outro lado, a cidadania não se exerce apenas a mandar bocas, ou seja, não é apenas a dar a nossa opinião, seja neste fórum, seja noutra assembleia. Este é o nível mais primário da cidadania que, apesar de tudo, obviamente tem que existir. Mas é bom que existam também outros níveis que considero superiores: aqueles que conseguem mobilizar centenas de pessoas, de forma organizada, por objectivos comuns altruistas. Para que a cidadania seja forte tem de ser organizada e conseguir mobilizar estas centenas ou milhares de cidadãos. Para isso tem de treinar, tentando criar eventos organizados para muitos cidadãos. E foi isto que aconteceu no dia 20 de Março! Como há muito tempo não acontecia! Eu não sei se sou parvo por ir limpar o lixo que outros fizeram, mas sei que pelo menos não podem criticar-me de só mandar bocas! As sociedades nórdicas ou outras que melhor funcionam, estão cheias destes parvos como eu, que saiem à rua para limpar o lixo dos outros. As sociedades latinas estão cheias de espertos que sujam e se riem de parvos como eu! J. F. Kennedy num dos seus memoráveis discursoso uma vez disse: "Não perguntes o que o teu País pode fazer por ti. Pergunta antes o que tu podes fazer pelo teu País." De alguma forma, as melhores sociedades estão cheias de parvos que fazem a segunda pergunta, e as piores, de espertos que fazem a primeira.
Para finalizar deixo uma pergunta: se nós não limpamos porque a culpa é da autarquia, então se a autarquia limpasse, porque raio íamos para a rua limpar o limpo! Como muitos sabem sou presidente da APOS, fundada também por mim há cerca de 4 anos, com objectivos de promoção da cultura local. A este nível, se a autarquia fosse competente, porque raio é que eu iria pôr-me a trabalhar como presidente da APOS? Como alguns de vós sabem, a promoção feita pela autarquia das singularidades culturais e ambientais do nosso concelho tem sido uma miséria. A atitude mais cómoda de quem não concorda com isto seria limitar-se a dizer mal da autarquia mas, como já disse, há formas superiores de cidadania para além do dizer mal. Claro que essas formas implicam trabalho e incomodidade, mas são superiores!
António Paula Brito (presidente da APOS)
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